Exportação de sucata ferrosa aumenta 52% em março, apesar do aumento do frete.
- INESFA

- há 22 horas
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As exportações de sucata ferrosa, insumo utilizado na fabricação do aço, voltaram a crescer com força em março, apesar do aumento do frete internacional em função da guerra no Oriente Médio. No mês passado, o volume de sucata exportada foi de 93.415 toneladas, um aumento de 52% em comparação ao mesmo mês de 2025, quando atingiram 61.484 toneladas. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.
No acumulado de janeiro a março, as vendas externas neste ano chegaram a 236.661 toneladas, alta de 32,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, com total de 178.583 toneladas.
Segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, reinserindo materiais reciclados no ciclo da transformação, a exportação de março atingiu um crescimento significativo, mas requer cuidado na análise dos resultados.
“Embora o número chame a atenção, avaliamos que ele pode ser um reflexo direto da preocupação do setor com eventuais mudanças na tributação de PIS/Cofins, levando à antecipação de exportações destes materiais. Vamos monitorar de perto os resultados do próximo mês para entender se estamos diante de um movimento pontual ou de uma nova dinâmica”, afirma Alvarenga. Além disso, com a fraca demanda das usinas siderúrgicas pela sucata ferrosa no Brasil, a alternativa das empresas de reciclagem é a busca do mercado externo para garantir as operações. “Importante lembrar que as vendas externas são apenas de volumes excedentes não comercializados no país”, diz.
De acordo com o levantamento semanal da S&P Global Energy, agência americana especializada em fornecer preços-referência e benchmarks para os mercados de commodities, “o mercado brasileiro de sucata ferrosa iniciou abril com lentidão e ainda com muita incerteza sobre como as mudanças nas regras de pagamento dos impostos federais PIS e Cofins podem alterar a dinâmica e os preços do setor doméstico.”
Conforme a S&P Global Energy, “os participantes do mercado, preveem que o presidente Lula sancionará as novas regras de cobrança de PIS/Cofins no setor de reciclagem nos próximos 15 dias. O setor reciclador enfrenta uma luta diária. Nenhuma siderúrgica aprovou cortes de preços oficiais e todos os recicladores estão trabalhando à sua maneira”, disse uma fonte do mercado.”
“Uma fonte do setor afirmou à agência Platts que o preço da sucata ferrosa já mudou por conta das mudanças nos impostos e da pressão da alta dos preços do diesel, que subiram quase 30%”. Por outro lado, o PL 1800 está em fase final de sanção presidencial, e a PEC da reciclagem (PEC 34/2025) avança com o relator Alex Manente já designado no CCJ. Além dessas questões legislativas, precisamos atentar para os desafios logísticos decorrentes de conflitos internacionais, como os que afetam o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, impactando diretamente os custos de frete e as rotas de exportação”, conclui Alvarenga.





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